Na Arqueologia, os objetos são frequentemente apresentados através de descrições das suas características. Mas será possível transformar essa informação numa história?
Foi esse o desafio lançado aos alunos da Escola de Verão Internacional da Archeospain, a partir do modelo narrativo ABT — And, But, Therefore (E, MAS, PORTANTO), proposto por Randy Olson e aplicado à comunicação em Arqueologia por Sara Cura no manual Escrita de Divulgação em Arqueologia (2026).
A partir de objetos encontrados em Santa Catarina de Sítimos, os alunos experimentaram novas formas de comunicar as histórias que a Arqueologia nos permite contar.
Descubra os objetos e as histórias construídas a partir deles.
Alfinete de cabelo em osso
Em 1986, os arqueólogos descobriram este alfinete de cabelo esculpido em osso animal, e alfinetes como este eram utilizados pelas mulheres para criar penteados elaborados durante o Império Romano. Mas produzir cada alfinete podia ser quase tão complexo como utilizá-lo, já que tinha de ser cuidadosamente colocado para prender o cabelo. Portanto, apesar do tempo e do cuidado necessários para produzir e usar estes alfinetes, estes acessórios desempenharam, durante séculos, um papel importante tanto na moda como na sociedade. Eram utilizados por mulheres de diferentes classes sociais, desde os penteados mais simples aos mais elaborados.
Cheyenne Contreras & Madeline Keiger


Lucerna
Este fragmento de uma lucerna moldada, datada dos séculos I–II d.C., representa a deusa romana Vénus durante o banho. As lucernae romanas apresentam geralmente três elementos distintos: um reservatório central para o óleo, um orifício de alimentação e um disco superior decorado, denominado discus. Neste discus, Vénus surge parcialmente drapeada, com um vaso sobre uma coluna ao seu lado, e a presença desta imagem numa peça encontrada em Santa Catarina de Sítimos mostra como os Romanos incorporavam motivos religiosos e mitológicos em objetos do quotidiano.

Mas, apesar desta iconografia religiosa, é difícil determinar se o habitante comum da Lusitânia romana a interpretava como um símbolo de culto religioso ou simplesmente como a decoração de um objeto utilizado no dia a dia. Portanto, este fragmento constitui um testemunho da ampla circulação de imagens religiosas e mitológicas através da cultura material quotidiana.
Marlaina Pennington, Frieda White & Lauren Teves Machado
Copo de paredes finas
Este é um copo romano de paredes finas, provavelmente datado do século I d.C., e copos como este eram habitualmente utilizados para beber no dia a dia. Mas foi encontrado parcialmente partido numa lixeira romana. Portanto, acreditamos que este copo foi descartado depois de se ter partido e já não poder ser utilizado.
Emilia Lord & Madeline Moore

Moeda de prata
Esta moeda de prata apresenta, numa das faces, a cabeça de Tito, filho do imperador romano Vespasiano, e, na outra, uma porca com três leitões, acompanhada da inscrição «IMP XIII». Os porcos eram símbolos romanos populares de prosperidade, e surgiam frequentemente representados em cenas associadas à vida do campo. Mas esta imagem carrega um simbolismo político, que vai além do mundo rural, estando diretamente ligada ao mito fundacional de Roma (a porca de Lavínio).Portanto, embora não existam provas escritas de que Tito tenha alguma vez visitado a Lusitânia, a descoberta desta moeda na villa de Santa Catarina de Sítimos mostra a importância das redes de circulação e de troca que ligavam esta parte mais ocidental do Império durante o período Flávio.
Lina Marandet & Sabrina Flores


